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DA PRODUÇÃO DOS TERRITÓRIOS À SEGURANÇA ALIMENTAR: PALMAS SEDIA PRIMEIRO CICLO DE OFICINAS DA ATA

26 de jun.
3 min de leitura

Atualizado: 29 de jun.

Evento na UFT abre circuito estadual que passará pelo Bico do Papagaio e região central para mobilizar, qualificar e instrumentalizar produtores, cooperativas e povos tradicionais.


Por Nadson Ayres

Nos dias 13 e 14 de junho, o auditório do Bloco C da Universidade Federal do Tocantins (UFT), no Câmpus de Palmas, reuniu as principais discussões sobre soberania alimentar e agricultura familiar. O ciclo de oficinas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), guiado pelo lema "Da produção dos territórios à segurança alimentar", reuniu dezenas de camponeses e camponesas de diversos segmentos agroecológicos do estado. Realizado pela Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA), com o apoio estratégico do Projeto Ibirapitanga, este encontro marcou o primeiro ciclo realizado na região de Palmas, abrindo uma agenda que ainda contará com outras duas etapas: uma na região do Bico do Papagaio e outra na região central do estado.


Fotos: Comunicação Viva Voz - Participantes do primeiro ciclo regional do PAA em Palmas, diversidade de povos.
Fotos: Comunicação Viva Voz - Participantes do primeiro ciclo regional do PAA em Palmas, diversidade de povos.

O objetivo central dessa circulação regional é mobilizar, qualificar, instrumentalizar e informar os produtores sobre as potencialidades e o funcionamento da política pública de aquisição de alimentos. A programação em Palmas foi metodologicamente desenhada para ir além da teoria, priorizando tempos de estudos, debates, palestras e, principalmente, a construção coletiva de sínteses. O público  composto por representantes de cooperativas, associações, associados, cooperados, movimentos sociais, além de pescadores, comunidades quilombolas e povos indígenas encontrou um espaço democrático para partilhar realidades distintas e propor soluções comuns.


Fotos: Comunicação Viva Voz

Durante os dois dias de imersão, as atividades práticas e teóricas abordaram gargalos históricos da produção familiar. Os participantes contaram com oficinas técnicas de inspeção sanitária, além de capacitações focadas em crédito, fomento e captação de recursos via editais públicos. De acordo com Silvio Ney, consultor de projetos que atuou no painel de inspeção sanitária, esse processo é fundamental para desmitificar exigências técnicas do dia a dia e facilitar o detalhamento de políticas que possuem critérios complexos de acesso. Ney apontou que o debate pautado em dados da realidade estadual e municipal ajuda a estruturar uma mobilização permanente para superar barreiras estruturais, como a necessidade de os municípios organizarem equipes prontas para emitir os selos de inspeção tanto para produtos de origem animal quanto vegetal, permitindo que os produtores saiam da marginalidade, agreguem valor à renda e melhorem sua qualidade de vida.


Fotos: Comunicação Viva Voz

O fortalecimento das políticas de compras institucionais também esteve no centro das atenções, com painéis dedicados tanto ao PAA quanto ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Os debates foram enriquecidos pela discussão de iniciativas específicas, como o Catrapovos (Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Tocantins), que visa desburocratizar e incentivar a introdução de alimentos nativos e tradicionais na merenda escolar de comunidades indígenas e quilombolas, respeitando a cultura, as identidades e os hábitos alimentares de cada território. Reijane Pinheiro, representante do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar (CECANE) na mesa de diálogo da Catrapovos, destacou que as oficinas são essenciais para detalhar informações e garantir a inserção de agricultores indígenas em programas como o PNAE e o PAA. Ela enfatizou que os desafios ligados à burocracia, barreiras políticas e falta de interesse institucional vêm sendo superados pela atuação da Catrapovos e por iniciativas da sociedade civil, como a APATO e a ATA. Para Pinheiro, a agricultura familiar promove saúde e segurança alimentar ao "produzir sem destruir", valorizando os alimentos dos territórios e mitigando os efeitos das mudanças climáticas associados ao modelo agroexportador.


Fotos: Viva Voz

Ao final do encontro, o sentimento geral entre os integrantes dos movimentos sociais e produtores era de compromisso renovado. Como desdobramento prático e pedagógico para dar continuidade ao processo de formação, foi entregue a todos os presentes uma cartilha exclusiva, que durante os dois dias de oficina serviu como material de apoio, e que continuará servindo como um instrumento contínuo de estudo, pesquisa complementar e multiplicação do saber nas diferentes regiões e comunidades do Tocantins, garantindo que os frutos do ciclo de oficinas permaneçam vivos no cotidiano da produção agroecológica.


Fotos: Comunicação Viva Voz

 
 
 

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