Coluna do norte / A Grande Encenação do Paço: o velho pelego amarelo!
- Fabio Lopes
- 30 de out. de 2025
- 3 min de leitura
No dia de hoje, Palmas acordou com a notícia que fez muitos(as) trabalhadores(as) da educação coçarem a cabeça, e outros(as) tantos(as), que pisam no chão da escola de verdade, revirarem os olhos. Dizem as más línguas dos corredores do Paço Municipal que o prefeito Eduardo, em um ato de "grande magnanimidade" – ou, quem sabe, de puro desespero pós-ato – convocou uma reunião para lá de “especial”. O convidado de honra? Ninguém menos que o presidente do SISEMP, o nosso ilustre “sindicato do quadro geral”, que sempre se presta a serviços como esse! O objetivo, segundo a lenda recém-nascida: "negociar e anunciar o pagamento de alguns direitos dos(as) trabalhadores(as) em educação". Ah, a ironia!
É quase um número circense, não fosse a seriedade da causa. Enquanto o nosso verdadeiro sindicato: o SINTET, o que paralisou Escolas; que foi às ruas no memorável 15 de outubro; que fez barulho e mostrou a força de quem sente na pele o descaso, esse, sim, ficou convenientemente fora da mesa. Silenciado. Ignorado. Ou melhor, TEMIDO, porque quando a voz do(a) trabalhador(a) se levanta, o poder treme e busca seus artifícios mais antigos: a busca por pelegos!
E qual é o truque da vez? Resgatar o velho "pelego" do baú. Para aqueles que não conhecem a figura, o "pelego" é aquela almofada macia que se coloca entre a sela e o cavalo para "amaciar" o atrito. No sindicalismo, é aquele que, com um sorriso largo e um aperto de mão traiçoeiro, finge lutar pelos direitos da categoria, mas na verdade, está lá para amaciar os trabalhadores para os interesses do "patrão" – no caso, o governo municipal. Ele tenta manipular a massa, aplaca os ânimos, e anuncia migalhas como se fossem banquetes, enquanto os legítimos representantes são deixados a ver navios... ou a lutar nas ruas.
É a velha tática: quando o SINTET Regional de Palmas, o "sindicato de verdade", como diz o povo, faz a sua parte e sacode as estruturas, o que faz a gestão? Corre para o SISEMP, o "sindicato do abraço", para simular um diálogo, anunciar uns "ganhos" que parecem mais um “me engana que eu gosto” ou um “ganha mais não leva”, do que reconhecimento legítimo. Enquanto isso, os(as) verdadeiros(as) representantes da educação, paradoxalmente, estão sem receber nada de concreto, vendo suas pautas (data-base) ignoradas e suas lutas sequestradas por um teatrinho barato, potencializado pelo SISEMP.
Não, senhores(as). Não precisamos de sindicato pelego para nos dizer o que é bom para nós. Não precisamos de agendas escondidas e reuniões com quem não tem legitimidade para falar em nome da Educação Pública. Precisamos de respeito, de reconhecimento, e do nosso sindicato, o SINTET, na linha de frente, sem medo de desagradar.
O show do dia de hoje talvez até engane alguns/algumas incautos(as). Mas nós, trabalhadores(as) da educação que vivemos a realidade de cada sala de aula, que lutamos no dia 15 de outubro, sabemos a verdade. E a verdade, é que o verdadeiro pão só é conquistado com luta, e não com os farelos que caem da mesa dos pelegos!
Pelegos não nos representam! Podem esperar luta e resistência dos guerreiros e das guerreiras da educação! Sem negociar, a educação vai parar! A genial Simone de Beauvoir já nos alertava:
“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”.
Fábio de Souza Lopes
Professor da Rede Pública de Ensino em Palmas-TO
Mestre no Ensino de Biologia – UnB




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